Salmos 55.16-17– “Eu, porém, clamo a Deus, e o Senhor me salvará. À tarde, pela manhã e ao meio-dia choro angustiado, e ele ouve a minha voz”.
Nestes dias tenho aprendido, de forma ainda mais profunda, que as lágrimas falam. Elas expressam quem somos por dentro, revelam nossas lembranças mais íntimas e expõem a maneira como nossa identidade se manifesta. Para alguns, chorar pode parecer fraqueza ou falta de fé; para outros, é sinal de sensibilidade, verdade e reconhecimento daquilo que carregamos na alma.
Hoje, eu choro… e venho diante da minha igreja para dizer que cada lágrima caída revela muito mais do que a dor da perda do meu amor de trinta anos, Andréa. Elas revelam, sobretudo, o meu reconhecimento do que ela representou para mim, para nossa família e para esta igreja que ela amou com tanta dedicação.
Eu compreendo que o choro vai além de meras emoções. Muitos choram sem sequer saber explicar a causa, outros nunca sentiram o peso ou o alívio que há em chorar por algo ou por alguém.
Hoje, para mim, chorar não é opção — é necessidade. É através das lágrimas que a alma encontra alívio, e é deixando fluir a dor que a ferida começa a respirar e, aos poucos, cicatrizar.
As lágrimas que correm pelo meu rosto carregam valores, dignidade e sentimentos que palavras humanas não conseguem explicar. Elas revelam a intensidade do amor, a verdade das emoções e o lugar que Andréa ocupa em meu coração.
Quero me apegar ao que a Bíblia nos ensina sobre o choro, quando aponta para um futuro de consolo e alegria. O salmista declara em Salmos 126.5-6: “Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes”.
Minhas lágrimas hoje testemunham o quanto Andréa semeou: na minha vida, na vida de Sarah, na vida da irmã Maria, minha sogra, e na vida de tantos que tiveram o privilégio de conviver com ela. Andréa não era de muitas lágrimas, mas, quando chorava, suas lágrimas carregavam marcas da graça, da misericórdia e do favor do Senhor. Chorava por Jesus, pelas almas, pela igreja, e quando era tocada pelo mover do Espírito.
Eu sei que a vida não é indolor. Nossa jornada é marcada por caminhos estreitos e terras espinhosas. Passamos por provações que revelam, de maneira incontornável, nossa dependência de Deus e das suas promessas.
Por isso, hoje, me apresento ao Senhor chorando. Não escondo a dor — ofereço a Ele meu coração partido, crendo que, mesmo entristecido, posso permanecer confiante na promessa de Apocalipse 21.4: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima…”