Mateus 13.31-33 – “E contou-lhes outra parábola: "O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo. Embora seja a menor dentre todas as sementes, quando cresce torna-se a maior das hortaliças e se transforma numa árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos". E contou-lhes ainda outra parábola: "O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada”.
Essas parábolas estão inseridas no discurso de Jesus em Mateus 13. Aqui, Jesus revela os mistérios do Reino dos céus, usando figuras do cotidiano agrícola e doméstico. As duas parábolas, o grão de mostarda e o fermento, são complementares: uma enfatiza o crescimento externo, e a outra, a transformação interna.
O texto de Mateus nos traz grandes reflexões sobre o Reino de Deus ao fazer a comparação do Reino a um grão de mostarda, frágil em sua aparência e insignificante em seu tamanho, mas que tem uma grande referência ao se tornar uma planta frondosa.
Na tradição bíblica, o Reino de Deus implica domínio de justiça. Implica bondade, retidão, integridade, benignidade, misericórdia; enfim, salvação. A passagem citada nos faz entender que essa semente, por mais pequena que seja, pode se desenvolver prodigiosamente para se tornar uma das maiores plantas em Israel.
Em muitos momentos as nossas ações podem parecer insignificantes, mas se estivermos cumprindo a vontade divina, certamente o que estamos realizando terá uma grande repercussão. O Reino de Deus é espiritual, e por mais que não estejamos vendo aos olhos humanos, o resultado vai chegar, vai aparecer.
Precisamos ser criteriosos ao selecionar as nossas sementes. Precisamos saber que cada atitude que temos e cada comportamento que demonstramos tem uma repercussão em nossas vidas. Entender essa realidade vai nos tornar mais criteriosos, atenciosos e diligentes com a maneira como estamos encarando os nossos dias.
Jesus não contou essas duas parábolas por acaso. Ele colocou lado a lado o grão de mostarda e o fermento para revelar uma verdade completa sobre o Reino de Deus. À primeira vista, parecem histórias diferentes, pois uma fala de uma semente plantada no campo e a outra fala de fermento misturado na massa, mas, na verdade, elas estão profundamente conectadas.
O grão de mostarda mostra como o Reino cresce por fora e o fermento mostra como o Reino transforma por dentro. Uma revela o que é visível e a outra revela o que é invisível, uma fala de expansão e a outra fala de transformação.
Jesus está dizendo que o Reino de Deus não é apenas algo que você vê crescer, é algo que você sente transformar. O Reino de Deus não cresce só ao nosso redor, ele começa dentro de nós e, então, se manifesta através de nós.
Antes de falar de números, crescimento ou estrutura, Jesus chama atenção para algo mais profundo, que não adianta crescer por fora sem transformação por dentro, e não adianta ter transformação interna sem impacto externo.
O Senhor nos chama não apenas para sermos transformados, mas para nos tornarmos agentes de transformação. Tudo o que se manifesta ao nosso redor deve ser o reflexo daquilo que Deus já realizou em nosso interior. No entanto, muitos desejam ver mudanças nos ambientes em que vivem e até na vida das pessoas com quem convivem, sem antes se submeterem ao processo de transformação interior. Querem transformação ao redor, sem permitir transformação por dentro, e esse nunca foi o caminho do Reino.
Porque no Reino de Deus, a ordem nunca é de fora para dentro, mas de dentro para fora. Deus começa no coração, ajusta intenções, alinha pensamentos, trata motivações e, então, essa obra transborda em atitudes, palavras e influência. Sem esse mover interno, qualquer tentativa de mudança externa se torna superficial, temporária e, muitas vezes, frustrante. Mas quando Deus transforma o interior, o exterior inevitavelmente será alcançado.