“Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês”. (Gálatas 4.19)
Existe uma diferença muito grande entre crescer e amadurecer. O crescimento pode ser percebido externamente, mas a maturidade é revelada principalmente naquilo que acontece dentro de nós. Uma pessoa pode envelhecer sem necessariamente amadurecer. Pode acumular conhecimento sem adquirir sabedoria. Pode conquistar posições sem desenvolver caráter.
E essa realidade também pode acontecer na vida espiritual. É possível passar anos frequentando uma igreja, conhecer muitos textos bíblicos, participar de ministérios, cantar louvores, ouvir centenas de mensagens, dominar a linguagem cristã e, mesmo assim, continuar reagindo a determinadas situações praticamente da mesma maneira de anos atrás.
Por isso, tempo de conversão não é necessariamente sinônimo de maturidade espiritual.
Hebreus 5.12 revela que esse problema já existia na igreja primitiva: “Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus...”.
O tempo havia passado, mas o amadurecimento esperado não havia acontecido. É nesse sentido que as palavras de Paulo aos gálatas são tão profundas.
As igrejas da Galácia estavam sendo influenciadas por mestres que acrescentavam exigências da Lei à suficiência da obra de Cristo. Paulo percebe que não estava diante apenas de um problema doutrinário. A compreensão equivocada do evangelho estava afetando a formação espiritual daqueles discípulos.
Então ele abandona por um instante a linguagem argumentativa e fala como um pai espiritual: “Meus filhos…”. Existe carinho nessa expressão. Depois acrescenta: “novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa…”. Existe dor nessa expressão. E finalmente revela seu objetivo: “até que Cristo seja formado em vocês”.
Existe propósito nessa expressão. Paulo não desejava apenas que eles conhecessem corretamente a doutrina cristã. Ele desejava que a verdade do evangelho produzisse neles uma vida parecida com Jesus.
A palavra traduzida como “formado” comunica a ideia de adquirir forma. É como se Paulo estivesse dizendo: “Meu desejo é que Cristo vá tomando forma dentro de vocês”.
Essa talvez seja uma das definições mais bonitas de crescimento espiritual. Crescer espiritualmente não é simplesmente saber mais sobre Cristo. É permitir que Cristo seja cada vez mais percebido em nós.
Paulo apresenta o mesmo propósito em Romanos 8.29, quando diz que fomos destinados a ser “conformes à imagem de seu Filho”. Portanto, Deus não está trabalhando apenas para mudar nossas circunstâncias. Ele está trabalhando para transformar nosso caráter.
Frequentemente nossa oração é: “Senhor, muda aquilo que está acontecendo comigo”. Mas talvez, em determinadas situações, Deus esteja interessado também em outra oração: “Senhor, muda aquilo que está acontecendo dentro de mim”.
Queremos que Deus transforme nossa situação. Deus também quer transformar nossas reações diante da situação. Queremos que Deus mude algumas pessoas ao nosso redor. Deus também deseja mudar a maneira como tratamos essas pessoas.
Queremos respostas. Deus quer produzir maturidade. É com essa perspectiva que começamos esta série: Crescendo por dentro.
Durante essas semanas, não queremos perguntar apenas “O que Deus pode fazer por mim?”, mas também: “O que Deus deseja fazer em mim?”.
Porque o maior projeto de Deus para nossa vida não é simplesmente nos proporcionar uma existência mais confortável. É formar Cristo em nós.