Mateus 13.44-46 – “O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. "O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou”.
O que aprendemos com a parábola é que o Reino de Deus pode ser descoberto de forma inesperada. O homem não estava procurando o tesouro; ainda assim, ao encontrá-lo, percebe imediatamente o seu valor. Isso revela que muitos encontram o Reino em momentos comuns da vida, porém, é necessário discernimento espiritual para reconhecer a grandeza do que foi achado.
Nem sempre nós sabemos mensurar o real valor das coisas espirituais. O mundo capitalista em que vivemos acaba cegando o nosso entendimento e a nossa compreensão do que realmente tem valor e é de fato precioso. Muitos acabam se iludindo com as situações da vida e se perdem por não conseguir dar importância aos valores celestiais.
O valor do Reino não produz peso, mas alegria. O homem vende tudo com satisfação, não por obrigação. Quando o valor é compreendido, a renúncia deixa de ser sacrifício e passa a ser resposta. A parábola do tesouro escondido e da pérola de grande valor não tem como foco principal explicar o processo da salvação, mas revelar o valor incomparável do Reino.
Jesus parte do pressuposto de que aquele que encontra o tesouro, isto é, a vida no Reino, reconhece prontamente a sua preciosidade. À luz das Escrituras, entendemos que esse encontro não nasce da iniciativa humana, mas da graça soberana de Deus, como o próprio Cristo afirma em João 15.16: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome”.
Ao mesmo tempo, Deus plantou no coração do homem o anseio pela eternidade, conforme Eclesiastes 3.11: “Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez”.
Pertencer ao Reino de Deus é, portanto, o maior tesouro que um ser humano pode encontrar. Pecadores são transformados em filhos por meio de Cristo. Essa compreensão nos oferece uma percepção da vida diferente, pois deixamos de nos apegar às coisas terrenas e passamos a nos firmar nas coisas dos céus.
Em João 1.12 encontramos a resposta clara para encontrarmos a nova identidade em cristo: “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”. Nossos pecados são perdoados e recebemos a vida eterna mediante a obra redentora de Jesus.
A parábola também evidencia que o encontro com o Reino gera uma alegria intensa e transformadora. Em Mateus 13.44, o homem não age com pesar, mas com entusiasmo. Ele não lamenta o que abandonou, porque compreendeu que o que encontrou é infinitamente superior.
Essa é a marca de quem realmente experimentou a graça: não vive preso ao que perdeu, mas celebra aquilo que recebeu. Encontrar lugar na família de Deus é descobrir o que há de mais precioso em todo o universo.