“Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. "Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”.(João 15.4-5)
Segundo o dicionário, a palavra fruto em sua etimologia significa filho, prole, efeito, resultado, utilidade, rendimento. No sentido bíblico, o fruto está sempre associado às nossas atitudes, que devem estar sempre de acordo com os ensinos de Cristo, para que possamos estar sempre ligados a Ele – como ramos – e frutificar.
Infelizmente, nós não temos o entendimento de que Deus nos chamou para termos uma vida frutífera, ativa, para sermos cheios de vida e de significado. Viver é poder compartilhar com os outros aquilo que temos, o que se encontra em nosso íntimo, influenciando as pessoas com quem convivemos com as nossas atitudes e comportamentos.
O que observamos na expressão bíblica é que permanecer é uma ordem, não uma sugestão: “Permaneçam em mim…” – note que o verbo está no imperativo, não é opcional; frutificar não começa com esforço, começa com permanência.
Muitas vezes queremos resultados sem relacionamento, queremos frutos visíveis sem raiz profunda. No entanto, a igreja só frutifica quando prioriza relacionamento antes de produção. O que vemos é que muitas pessoas, por não observarem esse chamado, acabaram se tornando estéreis, suas vidas não influenciam ninguém: muito pelo contrário, passam pelo mundo sem provocar nenhum tipo de reflexo ou mudança, passam sem deixar marcas ou saudades.
A presença de Deus em nossa vida se traduz em nosso comportamento e nos gestos que dão visibilidade a Sua presença em nossas práticas diárias. Compreendemos a nossa vida quando conseguimos enxergar as nossas atitudes e identificamos os frutos que produzimos. Só assim vamos entender que vivemos de fato a partir da ação do Espírito Santo que nos capacita a demonstrar sua atuação em nosso viver.
É necessário entendermos que permanecer é dependência contínua. “O ramo não pode dar fruto por si mesmo…”. O ramo não tem autonomia, ele não produz vida; ele recebe vida. Jesus não disse: “Sem mim vocês produzem pouco.”. Ele disse: “sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”.
E isso confronta: nossa autossuficiência ministerial, nosso ativismo religioso e nossas estratégias sem oração e dependência do Senhor. Programas não geram fruto espiritual, mas a permanência gera. Permanecer é relacionamento, não apenas atividade.
Como é importante entender a necessidade não de visitarmos a videira, mas de vivermos nela. Este comportamento é diferente de frequentar os cultos, de exercer funções e de cumprir uma agenda ministerial: fruto é consequência de conexão.
Jesus disse: “Eu sou a videira; vocês são os ramos”. Permanecer define, também, uma identidade. Nossa identidade vem da conexão com Cristo. O ramo não define sua própria natureza. A igreja não existe para produzir sua própria glória, mas para manifestar a vida da Videira.
Deus optou por nos conceder atributos que são Seus para vivermos uma vida significativa e atuante. O fruto precisa ser a consequência natural da ação de Deus na vida do crente. Para que a nossa vida tenha significado, precisamos ser instrumentos nas mãos de Deus. Através de nós, Deus deseja dar visibilidade aos Seus propósitos e planos para a Sua obra e para a Sua igreja. Para tanto, precisamos ser ativos na obra de Deus e nas tarefas que Ele deposita em nossas mãos.
A verdade é que o fruto que produzimos é mais importante do que as palavras que proferimos e as lições que desejamos ensinar. Somos muito mais eficientes em nossas ações quando damos o exemplo com a nossa própria vida. Ser atuante na obra de Deus não está vinculado ao que realizamos na igreja, mas à postura cristã que adotamos e a maneira como passamos o nosso exemplo para os outros.