Colossenses 2.6-7 – “Portanto, assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão”.
Quando olhamos para uma árvore, normalmente nossa atenção se volta para aquilo que conseguimos enxergar: sua altura, seus galhos, a beleza das folhas e os frutos que ela produz. Poucas vezes pensamos naquilo que está escondido debaixo da terra. No entanto, são justamente as raízes que sustentam tudo aquilo que vemos.
Quanto mais uma árvore cresce para cima, mais precisa aprofundar suas raízes. Se houver crescimento exterior sem profundidade, ela poderá até permanecer bonita durante algum tempo, mas quando chegarem os ventos fortes, sua fragilidade será revelada.
Assim também acontece conosco na caminhada com Deus. Há uma parte da nossa vida cristã que as pessoas conseguem ver: nossa participação na igreja, nosso serviço, nossas palavras, nosso conhecimento bíblico e aquilo que fazemos para o Senhor. Mas existe uma dimensão da nossa espiritualidade que ninguém vê. É o lugar das raízes.
É ali que estão nossa comunhão pessoal com Deus, nossa vida de oração, nossa intimidade com a Palavra, nossas motivações, nossas lutas, nossa obediência e nossa confiança no Senhor quando as coisas não acontecem como gostaríamos.
Por isso, precisamos ter cuidado para não confundirmos movimento com crescimento, atividade com maturidade, e conhecimento com intimidade. Podemos estar envolvidos com muitas coisas relacionadas a Deus e, ainda assim, perceber que nossas raízes precisam se aprofundar nele.
Existem momentos em nossa caminhada em que Deus não está interessado simplesmente em acrescentar alguma coisa ao nosso redor; Ele deseja aprofundar alguma coisa dentro de nós. Há períodos em que pedimos ao Senhor novos frutos, enquanto Ele está trabalhando nossas raízes. Pedimos mudanças nas circunstâncias, e Deus está trabalhando nosso caráter. Pedimos respostas, e Ele está nos ensinando confiança. Queremos que Deus faça alguma coisa por nós, enquanto Ele deseja realizar alguma coisa em nós.
Talvez seja exatamente por isso que algumas estações da vida sejam tão importantes. Os ventos que gostaríamos de evitar muitas vezes revelam onde nossas raízes estão. Quando tudo está bem, é relativamente fácil falar sobre fé. Mas quando chegam as frustrações, as perdas, as esperas, as incertezas e os dias em que não compreendemos os caminhos de Deus, descobrimos onde realmente estamos firmados.
Paulo escreve aos cristãos de Colossos justamente chamando-os de volta ao essencial. Havia muitas vozes tentando acrescentar filosofias, tradições e práticas religiosas à suficiência de Cristo. Mas Paulo lembra aqueles irmãos que eles não precisavam encontrar uma nova fonte espiritual. Eles precisavam aprofundar suas raízes naquele que já haviam recebido.
Por isso ele diz: “Assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele.
Que palavra necessária para nós! O Cristo que nos salvou é também o Cristo que precisa nos sustentar. Não começamos pela graça para depois continuarmos pela nossa própria força. Não recebemos Jesus para depois procurarmos outras fontes capazes de preencher nossa alma. A vida cristã começa em Cristo, continua em Cristo e encontra sua plenitude em Cristo.
Talvez, portanto, a pergunta mais importante não seja: “Quanto eu tenho feito para Deus?”, mas: “Quão profundas estão as minhas raízes em Deus?”
Porque podemos crescer diante das pessoas sem crescer diante de Deus. Podemos ampliar nossas atividades sem aprofundar nossa intimidade. Podemos conhecer mais da Bíblia sem permitir que a Bíblia transforme profundamente quem somos.
No entanto, o chamado de Deus para nós não é apenas para crescermos; é para crescermos com profundidade.
Precisamos de raízes profundas para os dias de vento. Precisamos de raízes profundas para atravessar as estações de seca. Precisamos de raízes profundas para permanecer quando nossas emoções oscilarem e quando nossas circunstâncias mudarem.
E essas raízes não são encontradas em nossa força, experiência ou capacidade. Elas precisam estar em Cristo.
Por isso, crescimento espiritual não significa simplesmente saber mais, fazer mais ou participar mais. Crescer espiritualmente é estar cada dia mais profundamente enraizado em Cristo, de maneira que, quando os ventos soprarem, nossa vida permaneça firme porque nossas raízes encontraram nele a sua fonte e o seu fundamento.