“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”. - Atos 1.8
Quando Jesus estabeleceu a Sua Igreja, Ele nunca imaginou uma comunidade fechada em si mesma, preocupada apenas com seus cultos, programas, necessidades e membros. Desde o princípio, a Igreja nasceu com os olhos voltados para fora, carregando a responsabilidade de tornar Jesus conhecido.
Antes de subir aos céus, Jesus deixou isso muito claro. Seus discípulos receberiam o poder do Espírito Santo para serem suas testemunhas em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra. Há um movimento nessa declaração: o evangelho começa perto, mas não pode permanecer apenas perto. Ele atravessa ruas, cidades, culturas e fronteiras. A Igreja que recebe o Espírito é também a Igreja que é enviada pelo Espírito.
Em Atos 13 encontramos essa verdade transformada em realidade na igreja de Antioquia. Aquela era uma comunidade espiritualmente saudável. Havia ensino, liderança, adoração, oração e jejum. Poderiam facilmente concentrar todas as suas forças naquilo que Deus estava fazendo entre eles. Entretanto, enquanto buscavam ao Senhor, o Espírito Santo disse: “Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13.2).
Deus estava mostrando que aquilo que fazia em Antioquia não deveria terminar em Antioquia; a bênção recebida precisava transbordar. A Palavra que os edificava precisava ser anunciada. A graça que os havia alcançado precisava alcançar outros. O Espírito que agia entre eles agora os impulsionava para além de suas fronteiras.
Esse continua sendo um grande desafio para a Igreja em nossos dias. Podemos nos tornar tão envolvidos com nossas programações, necessidades, estruturas e atividades que, sem perceber, deixamos de enxergar as pessoas que estão ao nosso redor. Podemos celebrar aquilo que Deus está fazendo dentro da igreja e esquecer que existem pessoas do lado de fora que também precisam experimentar essa graça.
Ao nosso redor existem pessoas enfrentando suas batalhas silenciosamente: famílias feridas, casamentos em crise, jovens procurando sentido para a vida, pessoas solitárias, decepcionadas, cansadas e espiritualmente distantes de Deus. Muitas delas talvez nunca entrem espontaneamente em uma igreja. Por isso, Jesus não disse apenas que deveríamos esperar que viessem, Ele nos mandou ir.
E esse “ir” nem sempre significa atravessar oceanos. Muitas vezes significa atravessar a rua, aproximar-se de um vizinho, sentar-se ao lado de alguém, ouvir uma história, fazer uma ligação, oferecer ajuda ou simplesmente criar uma oportunidade para falar de Jesus.
Nosso campo missionário começa exatamente onde Deus nos colocou.
Talvez não consigamos alcançar o mundo inteiro, mas certamente podemos alcançar o mundo que está ao nosso redor. Há pessoas que Deus colocou em nosso caminho e que talvez nunca ouvirão sobre Jesus de um púlpito, mas poderão conhecê-Lo através da nossa vida.
Por isso, uma igreja que alcança o mundo não pergunta apenas: “Quantas pessoas estão vindo até nós?”, mas também: “A quantas pessoas nós estamos indo?”
Que Deus nos livre de sermos uma igreja voltada apenas para dentro. Que continuemos olhando para fora, percebendo pessoas, atravessando barreiras e anunciando a esperança que encontramos em Cristo.
Porque a Igreja que Jesus sonhou não existe apenas para reunir os alcançados. Ela existe também para alcançar os que ainda estão longe.